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O rasto de destruição deixado pelo tornado de 7 de Dezembro vai-se apagando a pouco e pouco. Quem tem condições financeiras ou seguros que cobrem este tipo de estragos já remendou os telhados como pôde.
Em Ferreira do Zêzere, Tomar e Sertã, os concelhos afectados por aquele fenómeno que atingiu a Região Centro, as autarquias concentram-se em prestar apoio às famílias mais carenciadas. Nos dois primeiros concelhos, os autarcas acreditam que a reconstrução estará concluída até ao fim do ano. Prejuízos totais: 15 milhões de euros.
Da janela do seu gabinete, o presidente da Câmara de Ferreira de Zêzere assistiu com estupefacção à passagem do tornado, que arrancou as telhas de um edifício de dois andares no outro lado da praça. O centro da vila foi, aliás, um dos locais que mais sofreram. Há mazelas em grande parte dos equipamentos municipais.
Parte das obras nesses equipamentos será paga pelo Fundo de Emergência Nacional e o restante, diz o presidente Jacinto Lopes, "a câmara há-de conseguir suportar". O autarca estima que "60 a 70 por cento" das casas sem telhado já tenham sido reconstruídas e diz que "felizmente" foram poucas as empresas afectadas.
Apesar de a autarquia só ter tido de realojar uma família, já que as restantes ("duas ou três" segundo o presidente) encontraram alternativas junto de familiares ou amigos, são vários os casos de carência a que se procura agora acudir. Para isso a Câmara de Ferreira do Zêzere recebeu telhas e outros materiais de construção doados e está a angariar portas, mobílias e outros bens. O município criou também uma conta para ajudar as vítimas do tornado e vai realizar uma "festa de solidariedade" a 15 de Janeiro para angariar fundos.
Santarém esperou dois anos
Quem não tem seguro, ainda não sabe que contas fazer à vida. O mesmo aconteceu com aqueles que sofreram com as intempéries de 2008 e 2009, no distrito de Santarém e na Região Oeste, respectivamente. No primeiro caso, só na semana passada foram desbloqueadas as últimas verbas dos 300 mil euros do fundo de emergência constituído pelo Governo. Só dois anos depois, saldaram-se os últimos 91 mil euros. Por causa destes atrasos, Paulo Portas, líder do CDS/PP, foi ontem à Sertã exigir celeridade na ajuda às famílias.
"Se me derem a telha, já fico feliz, porque neste momento não posso comprá-la", diz uma moradora de Igreja Nova, em Ferreira do Zêzere, onde o tornado foi implácavel. A solução provisória é a cobertura com plástico, que ali se avista casa sim, casa não. A mesma história repete-se pelas ruas de Tomar. Em Casais, uma das freguesias mais afectadas, Sandra Soeiro faz contas para recuperar duas casas. "Numa já gastei 1200 euros, para pôr 2000 telhas. Fora a mão-de-obra", diz. "Na maior parte dos casos, as pessoas tinham seguro ou capacidade económica e por isso estão a andar pelo seu pé", diz o presidente da câmara, segundo quem a maioria das obras nas habitações afectadas está já concluída ou em curso. "Na noite de Natal, em princípio, toda a gente estará dentro de sua casa", conclui Corvêlo de Sousa. Perspectiva semelhante tem o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere.
Tomar está a procurar ajuda para os mais necessitados. "Há casos em que não podemos deixar de tentar encontrar dinheiro na câmara para as pessoas não dormirem ao relento", diz o presidente, Corvêlo de Sousa, explicando que neste momento a autarquia está a fazer "sobretudo trabalho social". O Plano de Emergência Municipal foi desactivado no início desta semana e desde então a resposta passou a ser coordenada pelo gabinete da presidência. Os pedidos que chegam são essencialmente de telhas.
Reconstrução começou logo
Mais célere do que a ajuda financeira tem sido a reconstrução, que começou uma hora depois de a tempestade ter atacado Ferreira do Zêzere, garante o presidente.
FONTE: Público
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