O Global Management Challenge está a cativar cada vez mais engenheiros. Luís Mira Amaral, professor de economia e gestão do Instituto Superior Técnico (IST), explica algumas das qualidades que estes profissionais apresentam no domínio da gestão.
Criado há mais de 30 anos o Global Management Challenge é uma competição de estratégia e gestão. Anualmente equipas totalmente formadas por alunos de engenharia ou profissionais já formados apostam neste desafio. Mas será que estão em pé de igualdade com participantes oriundos de economia e gestão? Luís Mira Amaral acredita que sim. "Os engenheiros pela sua visão sistémica dos problemas perceberão imediatamente a interligação entre as várias áreas funcionais da empresa ao utilizarem o simulador de gestão", refere o professor.
Acrescenta que se estes profissionais tiverem bom senso quer na análise do mercado e na abordagem à elasticidade procura/preço, quer na consciencialização de que não podem abusar dos trabalhadores, terão condições para ter sucesso na gestão simulada da empresa.
Luís Mira Amaral costuma contar uma história aos seus alunos da cadeira de introdução à gestão, do primeiro ano do curso de engenharia e gestão industrial do IST que sintetiza a evolução normal de um engenheiro numa empresa. Quando começam a trabalhar estes profissionais afirmam que lhes deram muita teoria mas não o conhecimento prático de que precisam.
Passados dez anos referem que lhes deveriam ter ensinado mais matemática e física, pois com essa formação básica conseguiriam aprender qualquer coisa de que necessitem na sua vida profissional. Vinte anos depois os engenheiros pensam que lhes deveriam ter ensinado economia e gestão que é aquilo de que necessitam para o seu trabalho na empresa.
Salienta Luís Mira Amaral que "esta história mostra que os engenheiros ao entrarem nesta competição começam no fundo a abordar e a estar atentos àquilo que é essencial na gestão: a análise de mercado, a elasticidade procura/preço, quais os mercados a apostar, a competição através do preço ou da qualidade e da inovação, a sensibilidade à gestão dos recursos humanos e a gestão financeira da empresa". É a prova de que o Global Management Challenge para além de uma competição é também uma fonte de conhecimento.