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A morte lenta dos soutos de Trás-os-Montes |
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"Dentro de poucos anos, algumas manchas de castanheiros na zona da Padrela terão desaparecido devido à doença do cancro e da tinta". Esta conjectura foi avançada pelo presidente da Associação Regional dos Agricultores das Terras de Montenegro, ARATM, Flávio Costa. Apesar de vários estudos e novas práticas de plantação, variedades e sustentabilidade dos soutos, as doenças continuam a afectar os castanheiros e os produtores mostram-se impotentes para combater esta realidade.
Os inúmeros trabalhos de investigação que têm sido feitos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Instituto Politécnico de Bragança e pelo Centro Nacional de Sementes Florestais de Amarante, ainda não permitem um tratamento eficaz para nenhuma das pragas. A doença da Tinta deve o seu nome à cor negra que a árvore adquire por baixo da casca quando é atacada, sendo conhecida desde o século XIX. A sua propagação faz-se através da água de rega, da chuva, do transporte de terra e de material vegetativo infectado. Na Europa, está presente já há várias décadas e foi detectada pela primeira vez, em Portugal, no ano de 1989, concretamente na região de Trás-os-Montes. A zona de Padrela foi a mais afectada, principalmente a variedade "Judia".
A outra doença, o cancro do castanheiro, só é detectado a partir do terceiro ou quarto ano após a plantação, é muito virulento e ataca a parte aérea da árvore de forma rápida e irreversível. Detecta-se pelo desenvolvimento de necroses castanho-avermelhadas no tronco e pela permanência das folhas e ouriços mortos nos ramos secos da árvore.
Na abordagem que fez ao Nosso Jornal, Flávio Costa deixou transparecer muita preocupação e algum cepticismo. "Nesta actividade rural, o principal problema são as doenças dos castanheiros. Embora haja pessoal técnico a ajudar, não conseguimos controlar as doenças e daqui a poucos anos vamos ter muito prejuízo nos castanheiros mais velhos. O que vai valendo ainda são os soutos plantados recentemente, além de das novas plantações que se estão a fazer, que vão resistindo à doença. Por outro lado, há variedades mais resistentes à doença da tinta e ao cancro. Infelizmente, ainda não há cura para estas doenças".
Envelhecimento dos produtores e desinteresse dos mais jovens também afecta produção
Para o presidente de uma das maiores associações de agricultores de Trás-os-Montes, a solução, para adiar o pior, passa "por cortar e desinfectar as partes atingidas pela doença". "O cancro está a destruir os nossos soutos. É com tristeza que vemos os nossos castanheiros a morrer pouco a pouco. Outro factor que nos preocupa é o envelhecimento dos produtores. A maioria das pessoas que estão ligados à produção de castanha já têm uma certa idade e não podem tratar das árvores. Os jovens não se querem dedicar à agricultura porque não dá rendimento e não se sentem atraídos pela castanha. Além disso, falta-lhes o incentivo do rendimento, que nem sempre é certo, há anos muito difíceis".
A receita para contrariar esta tendência fatídica passa por incentivos e ajudas aos agricultores, para fazerem projectos destinados a novas plantações para a reposição das zonas afectadas. No apoio aos agricultores, o dirigente realçou o papel dos técnicos da Associação e da Direcção Regional e também da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que têm desempenhado uma acção importante, com a sua colaboração e realização de projectos conjuntamente com a associação.
Um dos produtores de castanha que está a sentir na pele o alastramento da doença do cancro nos seus soutos, é Júlio Amaro, de Carrazedo de Montenegro (na foto). "De ano para ano, a doença está a dar-me muito prejuízo. Ainda encomendei, de França, vários pés de castanheiros, mas acabaram por ser afectados também. Vou cortando os ramos atacados para adiar a morte dos castanheiros velhos. Depois, lá os terei de arrancar" .
De acordo com um estudo (um magnífico trabalho de investigação sobre o castanheiro em Portugal) levado acabo por Luís Martins, da UTAD, nas freguesias da Padrela e Corveira assistiu-se ao agravamento do declínio dos povoamentos de 1995 até 2001, com estas doenças. Em 2000, cerca de 20 por cento das árvores estavam decrépitas, detectando-se já em 2001 a mortalidade em mais de 11 por cento dos castanheiros observados. Outras afecções também aparecem no terreno, a antracnose, que debilitam progressivamente os castanheiros.
Flávio Costa abordou ainda a mão-de-obra para a apanha da castanha, revelando uma situação curiosa. "Esse problema não existe. Nesta zona, como a castanha se valoriza muito, é essencialmente grande, brilhante e de grande qualidade, as pessoas gostam de ir para a apanha. Além disso, nós já temos a mecanização, só que, para ser rentável, tem de haver muita castanha".
Quebra pode chegar aos 40 por cento
Na colheita deste ano, os produtores têm sentido uma contrariedade, que é a falta de chuva. Com a ausência de chuva, o fruto está agarrado ao ouriço, e ela só é deitada ao chão com o auxílio de uma vara, o que tem dificultado a apanha.
Segundo a ARATM, este ano a quebra de produção de castanha pode chegar a 40 por cento em relação aos anos anteriores, salientando contudo que os preços correntes têm sido bons (2 euros por quilo).
A castanha "DOP Padrela" é exportada essencialmente para França, Brasil, Inglaterra, Espanha, Itália e para outros países da Europa. A produção média de castanha, na área da ARATM, é de 12 mil toneladas. A ARATM representa cerca de mil agricultores, produtores da castanha e de outras áreas, prestando vários serviços aos seus associados. Abrange os concelhos de Valpaços, Murça, Vila Pouca e Chaves.
O castanheiro (Castanea Sativa Mill), em Portugal, tem sido uma mais-valia no rendimento do agricultor desde meados da década de 1980. O mesmo tem acontecido na área produtora da "Castanha da Padrela". Nesta zona, a castanha "Judia" é uma das principais fontes de receita das populações locais, nomeadamente em seis freguesias do Concelho de Valpaços (Carrazedo de Montenegro, Curros, Padrela e Tazém, Santiago da Ribeira de Alhariz, São João da Corveira e Serapicos).
FONTE: Expresso
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Plantadas 4000 árvores e arbustos nos Açores |
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A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) anunciou esta quarta-feira a plantação de 4000 árvores e arbustos naturais nos Açores. Iniciativa pretende recuperar habitats no ilhéu de Vila Franca do Campo, na costa Sul da ilha de S. Miguel.
De acordo com a Lusa, a plantação integra-se no projecto «Ilhas Santuário para as Aves Marinhas», desenvolvido pela SPEA em parceria com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e Royal Society for Protection of Birds.
As faias e urzes introduzidas no ilhéu de Vila Franca foram plantadas em zonas previamente limpas de espécies infestantes, procedendo-se, também, ao lançamento de «grandes quantidades de sementes para promover uma mais rápida recuperação das áreas intervencionadas».
Em comunicado, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves sublinha que a iniciativa constitui o «primeiro passo de uma intervenção de recuperação dos habitats naturais do ilhéu», procurado pelo cagarro - uma espécie de ave marinha rara - para nidificar.
A ilha do Corvo, no Grupo Ocidental do arquipélago, é outra das áreas consideradas «prioritárias» pelo projecto «Ilhas Santuário para as Aves Marinhas»
FONTE: IOL Diário
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Reabilitação de estufas do Parque Eduardo VII custa 1,8 milhões |
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Câmara vai discutir viabilização do pagamento à empresa responsável pela obra das estufas, que devem reabrir em Novembro.
Após mais de 17 meses de encerramento, devido ao risco de colapso da estrutura metálica da cobertura, a Estufa Fria de Lisboa, no Parque Eduardo VII, poderá reabrir ao público em Novembro. A autarquia lisboeta agendou para amanhã a discussão de uma proposta que viabiliza o pagamento de 1,817 milhões de euros à empresa responsável pela reabilitação das estufas fria e doce.
Em Maio de 2009, o complexo foi encerrado ao público devido ao risco de colapso da estufa fria e de colapsos parciais na estufa doce. Um mês depois, ao abrigo do "estado de necessidade", a Câmara adjudicou à HCI Construções, por ajuste directo e um valor estimado de 1,45 milhões, a substituição de ambas as estruturas, incluídas numa área de 1,5 hectares inaugurada em 1933 e com uma grande diversidade de espécies vegetais.
Em Julho, o município avançou com a consignação dos trabalhos, com um prazo de execução de 480 dias que incluía a concepção do projecto. O plano mereceu o parecer favorável do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico já em Fevereiro deste ano e a intervenção arrancou em Março. Segundo a proposta que será analisada, apresentada por dois vereadores do PS, o encargo final acabou por ser de 1,714 milhões de euros, acrescendo quase 103 mil euros de IVA.
A Estufa Fria foi inaugurada em 1933, projectada pelo arquitecto e pintor Raul Carapinha. Acolhe plantas tropicais e equatoriais, algumas muito raras, numa área de 8100 metros quadrados. Tem uma média anual de 60 mil visitantes.
Para amanhã está também agendada a votação de uma proposta para alienar aos respectivos ocupantes 25 casas municipais dos bairros Quinta do Chalé, Vale de Santo António, Olivais Velho, Condado Zona I e Horta Nova. Entre T1 e T3, foram avaliadas entre 21 330 e 55 410 euros.
FONTE: DN
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Voluntários plantam 30 mil árvores num dia |
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AA Lousã ganhou, ontem, mais 30 mil árvores. Cerca de 1200 voluntários participaram num projecto de reflorestação promovido pela Fundação Floresta Unida. E houve quem levasse um autógrafo para casa: o actor Paulo Pires também lá esteve, de enxada na mão.
O projecto consistiu na plantação de árvores de 12 espécies autóctones - sobreiros, freixos, castanheiros e diferentes tipos de carvalhos, entre outras - , num só dia, nas imediações do aeródromo e do Centro de Operações e Técnicas Florestais da Lousã, uma área que foi afectada pela doença do pinheiro - nemátodo.
Todas as árvores têm a garantia de 30 anos de gestão e de protecção, como frisou David Lopes, coordenador geral da Fundação Floresta Unida. "Não estão só a plantar árvores; estão a marcar o início de um longo trabalho", dirigiu aos voluntários, ligados, em grande parte, a empresas parceiras.
Maria José Pinheiro viajou de Paredes, com a filha, para pôr mãos à terra. "Fiz questão de vir, porque acho que todos devemos ajudar. A floresta tem desaparecido a olhos vistos", disse, depois de ter plantado a árvore à qual deu o nome da filha: Sara. Acabaram, ambas, por recolher um autógrafo de Paulo Pires, um dos rostos célebres que aceitaram juntar-se à iniciativa. António Romano, da agência de modelos Central Models, parceira da Fundação Floresta Unida, também participou.
António Romano falou na importância de dar o exemplo, ao referir-se à "capacidade" que as caras da agência têm "de influenciar os nossos jovens". Já Paulo Pires assinalou que se trata de "uma causa muitíssimo nobre". "Temos de pensar em preservar aquilo que temos o mais possível e semear, porque a única maneira de colhermos amanhã é semearmos hoje", acrescentou.
O presidente da Câmara da Lousã, Fernando Carvalho, também pegou na enxada. Mas, antes, em declarações aos jornalistas, destacou o contributo de acções como esta, em matéria de "sensibilização". "Nestas iniciativas, aparecem muitos jovens. É a garantia de que temos grandes possibilidades de ir alterando a forma como as pessoas vêem a floresta", defendeu o autarca.
A pensar na sensibilização dos mais novos esteve Tânia Antunes, que levou os dois filhos, "para os incentivar, mostrar como é importante nós colaborarmos com o ambiente". É técnica florestal na Associação Florestal do Pinhal - Aflopinhal, com sede ali mesmo, na Lousã. E, "como tal, não podia faltar", observou, bem disposta.
O presidente da Câmara da Lousã fez referência, ainda, ao "longo esforço" desenvolvido, no concelho, no sentido de "manter esta mancha [verde]".
E sublinhou que "a Câmara Municipal da Lousã tem uma estrutura própria para evitar que a área ardida seja significativa". Mais adiante, Fernando Carvalho destacou que, nos últimos anos, os "telejornais" já não abrem com notícias relativas a incêndios florestais no concelho.
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Actualizado em Segunda, 25 Outubro 2010 10:01 |
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