Citigroup reitera recomendação de "comprar" para o BES PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Citigroup reitera recomendação de "comprar" para o BES
O banco de investimento constata que há uma diferença abismal entre as necessidades de capital que o mercado está a incorporar para o BES e aquelas que foram reconhecidas pela Autoridade Bancária Europeia.
O preço-alvo do Citigroup para o BES continua a ser de 2,40 euros por acção e isso confere um potencial de valorização ao banco que lhe poderia permitir mais do que duplicar o seu valor de mercado. Por isso, a sua recomendação é de “comprar” as acções do banco, embora considere o investimento de “risco elevado”.
A recomendação é feita depois de o banco analisar todos os riscos que estarão a ser incorporados pelas acções do banco liderado por Ricardo Salgado e que pressionam a sua cotação. Os riscos considerados são o de liquidez, o de endividamento, da dívida soberana, o regulativo e o do fundo de pensões são todos objecto de considerações pela equipa de “research” do Citigroup.
Ao nível de liquidez de longo prazo, existe um “desafio” mas a instituição recomenda que se “olhe para o perfil de maturidades da dívida de médio prazo”.
No corrente trimestre o BES não terá dívida a atingir a maturidade e nos próximos dois anos terá necessidades de 5,5 mil milhões de euros. Um montante igual àquele a que o banco terá acesso através de uma "almofada" financeira de dois mil milhões de euros, somado aos activos de 3,5 mil milhões de euros a que pode aceder ao abrigo do programa da troika, depois de er conseguido aprovação dos accionistas.
Quanto ao risco da dívida soberana, o banco está “obviamente exposto a Portugal”. “No entanto, a sua exposição é de apenas 3,6 mil milhões de euros, dos quais três mil milhões vão atingir a maturidade durante o próximo ano”, salienta o banco, deixando em evidência que estes números permitem ao banco gerir de forma flexível a sua exposição à dívida portuguesa.
No que diz respeito ao risco regulativo, o banco acredita que o BES será capaz de cumprir o rácio de capital "core tier one" de 10%, exigido até meados de 2012, sendo que já cumpre a exigência de 9% para 2011.
Quanto ao fundo de pensões, as preocupações do banco de investimento são poucas uma vez que as condições da sua transferência para o Estado já estão definidas. O Citigroup estima uma perda não recorrente de 326 milhões de euros por conta desta operação.
"Compre BES"
A nota de análise destaca que o banco “negoceia a 24% do valor contabilístico estimado para no final de 2011”, constata o Citigroup.
“Nesta base, o mercado está a incorporar uma carência de capital de 4,6 mil milhões de euros”, que compara uma carência de capital apurada pela autoridade bancária de 188 milhões de euros, diz. “De onde vem o buraco de 4,4 mil milhões de euros?”, questiona a nota de análise de forma retórica. O banco responde com a sua própria recomendação: “Compre BES”.
O principal risco para a avaliação e recomendação do Citigroup para o BES é o de “Portugal não convergir com a Europa e de que a conclusão da actual crise da dívida seja desordeira”, salvaguarda o banco de investimento.
As acções do BES estão a descer 0,6% para 0,994 euros por acção. Face ao preço-alvo do Citi, as acções encerram um potencial de valorização de 141,4% e isso justifica a recomendação de "comprar".
FONTE:JORNAL DE NEGÓCIOS
16 Dezembro 2011 | 12:32
Hugo Paula -

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Actualizado em Segunda, 19 Dezembro 2011 15:36