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Sampaio: 'não há alternativa ao capitalismo'
Jorge Sampaio afirmou hoje [16-12-2011] que os resultados do último Conselho Europeu não o «entusiasmaram» e disse estar «muito preocupado» com a situação europeia, reconhecendo que «não há alternativa» ao capitalismo, mas que a «transição» tem que ser feita com «razoabilidade».
À margem da conferência na noite de quinta-feira sobre 'O que é a América hoje', no Porto, o ex-presidente da República, questionado sobre como decorreu o último Conselho Europeu, afirmou que não ficou «muito entusiasmado» com o que leu.
«Acho, sinceramente, que temos que sair disto com uma força renovada que se adapte àquilo que o mundo hoje é. Isso significa um reforço institucional», disse.
Sampaio afirmou, ainda sobre o último Conselho Europeu, que o facto de princípios «fundadores» da União Europeia, como a «solidariedade» e a «igualdade dos Estados», estarem em «perigo» é «preocupante».
O embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Allan Katz, também orador convidado na referida conferência, e também à margem desta, deu conta da «preocupação» com que encara a crise europeia.
Segundo Kratz, «há necessidade de uma resposta dramática da União Europeia na assistência a países que estão a fazer tudo o que é possível fazerem» no qual incluiu Portugal.
O representante da administração de Obama em Portugal mostrou-se preocupado com o facto de Portugal se poder «tornar uma vítima» da «inviabilidade» do que está a acontecer com outros países europeus.
Para Kratz, a Europa e os Estados Unidos «têm que reconhecer que estão dependentes do sucesso um do outro» e que se ambos «não trabalharem em conjunto os tempos podem ser difíceis"»
Já durante a conferência, Jorge Sampaio reafirmou estar «muito preocupado» com a situação financeira da Europa, reconhecendo que «há falta de esperança».
Segundo Sampaio, «o capitalismo não tem alternativa depois do falhanço do socialismo soviético e de coisas parecidas» e, definiu, «o grande problema que se coloca é não haver um outro sistema "home made"».
Mas, alertou, «tem que haver uma transição com o mínimo de razoabilidade» porque, disse, «as pessoas não podem de repente ficar sem sistema».
Jorge Sampaio apontou como «grave» o facto de as «pessoas que decidem» olharem para «todos» como «números» o que, afirmou, «faz desaparecer a classe média americana e que faz com que as desigualdades se alarguem».
Aliás, tanto Jorge Sampaio como Allan Kratz realçaram a importância de «reduzir as desigualdades» como prioridade.
«Para mim sucesso é eliminar as desigualdades económicas no mundo», explicou Kratz.
O caminho para isto é, segundo Sampaio, «através de uma visão multilateral» para o mundo.
Ambos concordaram ainda na necessidade de «diálogo» e trabalho «em conjunto» dos dois lados do Atlântico, reconhecendo ainda a existência de «economias emergentes» que não podem ser «postas de lado».
«Temos que reconhecer que temos que encontrar um caminho para trabalhar em conjunto com esses países», disse Kratz.
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| Actualizado em Segunda, 19 Dezembro 2011 15:28 |